BVPS Edições | Ensinar Pensamento Social | Onde estão as mulheres no ensino de Ciências Sociais no Brasil?, por Fernanda Alcântara

No novo post da série Ensinar Pensamento Social, organizada por Arilda Arboleya (UFPI) em parceria com o INCT/CNPq Instituto Igualdade e Aprendizado Social, publicamos hoje “Onde estão as mulheres no ensino de Ciências Sociais no Brasil?”, de Fernanda H. C. Alcântara (UFJF-GV).

Partindo da pergunta formulada por Harriet Martineau em 1837 (“As mulheres estão lá? Em quais proporções, e sob quais leis da liberdade?”), a autora discute os mitos que sustentam o cânone e o rótulo de “identitarismo” atribuído a quem estuda as teóricas clássicas. Com base em pesquisa sobre os planos de ensino dos cursos de Ciências Sociais das IFES, mostra que as mulheres não chegam a 10% das referências em nenhum dos recortes analisados. Se a formação em Ciências Sociais se define pelo estranhamento e pela desnaturalização do que parece dado, por que a ausência das mulheres nos currículos segue naturalizada, enquanto a reivindicação de sua presença é tratada como “identitarismo”?

Mobilizando perspectivas diversas, a série reunirá nas próximas quintas-feiras pesquisadoras e pesquisadores da história e do ensino das Ciências Sociais, das sociologias da educação, do currículo e do conhecimento, e do pensamento social contemporâneo, para debater as formas, os deslocamentos e os desafios dos dispositivos curriculares e formativos atuais.

Boa leitura!

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Sociológicas | Eu me rasgo na terra da laranja, por Maria Moraes

Seguindo o fio de ariadne proposto para esta floração da série Sociológicas, Maria Moraes (UFSCar) analisa a exploração do trabalho na colheita da laranja e no controle de pragas no interior de São Paulo. O texto foi publicado originalmente em espanhol no Tratado latinoamericano de antropología del trabajo (2020) – obra coletiva com mais de 2000 páginas –, e discute o impacto das metas de produtividade e dos acidentes no corpo dos trabalhadores, em sua maioria migrantes nordestinos, além de mostrar como a precarização afeta especialmente as mulheres no campo.

Sociológicas é um espaço de reflexão da BVPS Edições, voltado para discutir problemas do presente e os processos sociais que este ainda oculta, a partir de uma perspectiva sociológica.

Boa leitura!

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BVPS Edições | Ensinar Pensamento Social | Desafios do tempo presente ao currículo e ao ensino, por Ileizi Fiorelli Silva

Dando continuidade à série Ensinar Pensamento Social, organizada por Arilda Arboleya (UFPI) em parceria com o INCT/CNPq Instituto Igualdade e Aprendizado Social, publicamos hoje “Desafios do tempo presente ao currículo e ao ensino”, de Ileizi Fiorelli Silva (UEL).

Retomando Max Weber e Basil Bernstein, a autora pensa o currículo como espaço de disputa entre a “pedagogia do cultivo”, ligada à formação humanista, e a “pedagogia da eficiência”, hoje reconfigurada pela lógica do desempenho e da performatividade digital. Se os antigos especialistas das ciências do século XX cedem lugar a um novo tipo, o especialista digital, formado nas Big Techs, que passa a arbitrar sobre o que é o “conhecimento legítimo”, como isso se traduz, nos currículos brasileiros, na redução da carga horária de disciplinas como Sociologia, Filosofia e História?

Mobilizando perspectivas diversas, a série reunirá nas próximas quintas-feiras pesquisadoras e pesquisadores da história e do ensino das Ciências Sociais, das sociologias da educação, do currículo e do conhecimento, e do pensamento social contemporâneo, para debater as formas, os deslocamentos e os desafios dos dispositivos curriculares e formativos atuais.

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BVPS Edições | Ensinar Pensamento Social | Educação e Pensamento social no Brasil: o currículo como elaboração onírica, por Alexandro Paixão

No sexto post da série Ensinar Pensamento Social, uma parceria com o INCT/CNPq Instituto Igualdade e Aprendizado Social organizada por Arilda Arboleya (UFPI), publicamos o texto “Educação e Pensamento Social no Brasil: o currículo como elaboração onírica”, de Alexandro Paixão (Unicamp).

Inspirando-se no clássico ensaio de Raymond Williams “A cultura é algo comum” (1958) Paixão revisita suas experiências como professor e coordenador na Unesp e na Unicamp, nos convidando a uma reflexão sobre as ausências nos currículos de Sociologia Geral que deságua em uma “elaboração onírica” de um ensino de Sociologia mais plural e atento às contribuições femininas para o pensamento social.

Mobilizando perspectivas diversas, a série reunirá nas próximas quintas-feiras pesquisadoras e pesquisadores da história e do ensino das Ciências Sociais, das sociologias da educação, do currículo e do conhecimento, e do pensamento social contemporâneo, para debater as formas, os deslocamentos e os desafios dos dispositivos curriculares e formativos atuais.

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Sociológicas | Nos labirintos da granja, por Maria Moraes

Nesta edição da série Sociológicas, Maria Moraes (UFSCar) compartilha o testemunho de Lourdes (nome fictício), ex-trabalhadora de uma granja de galinhas poedeiras. A entrevista foi realizada em 2016 e serve para Moraes discutir as diferentes formas de violência assumidas pela superexploração laboral, como a crueldade do manejo animal e a apropriação do afeto feminino para a maximização do lucro. O texto tece diálogo com a pensadora alemã Roswitha Scholz, cuja concepção de patriarcado mobilizada por Moraes ajuda a iluminar detalhes da dinâmica de trabalho paulista; ou, como o título indica, dos labirintos da granja.

Sociológicas é um espaço de reflexão da BVPS Edições, voltado para discutir problemas do presente e os processos sociais que este ainda oculta, a partir de uma perspectiva sociológica.

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BVPS Edições | Ensinar Pensamento Social | Ensino de Sociologia e Pensamento Social Brasileiro: em busca de convergências, por Amurabi Oliveira

Dando continuidade à série Ensinar Pensamento Social, uma parceria com o INCT/CNPq Instituto Igualdade e Aprendizado Social organizada por Arilda Arboleya (UFPI), publicamos “Ensino de Sociologia e Pensamento Social Brasileiro: em busca de convergências”, de Amurabi Oliveira (UFSC).

Antes de existir um único curso de ciências sociais no Brasil, a sociologia já era ensinada nas escolas secundárias, décadas antes da criação das primeiras graduações na área, na década de 1930. Amurabi Oliveira revisita essa origem pouco lembrada, passando pelas primeiras cátedras escolares do final do século XIX até a passagem de Gilberto Freyre como professor na Escola Normal de Pernambuco. O texto chega ao presente propondo que a presença dos clássicos brasileiros nos currículos escolares pode ser um caminho profícuo para descolonizar o próprio ensino de sociologia, ampliando o repertório de autores e autoras que compõem essa tradição.

Mobilizando perspectivas diversas, a série reunirá nas próximas quintas-feiras pesquisadoras e pesquisadores da história e do ensino das Ciências Sociais, das sociologias da educação, do currículo e do conhecimento, e do pensamento social contemporâneo, para debater as formas, os deslocamentos e os desafios dos dispositivos curriculares e formativos atuais.

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BVPS Edições | Ensinar Pensamento Social | O Pensamento Social Brasileiro no currículo das Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná, por Alexandro Trindade

No quarto post da série Ensinar Pensamento Social, uma parceria com o INCT/CNPq Instituto Igualdade e Aprendizado Social organizada por Arilda Arboleya (UFPI), publicamos “O Pensamento Social Brasileiro no currículo das Ciências Sociais da Universidade Federal do Paraná”, de Alexandro Dantas Trindade (UFPR).

Como ensinar a estudantes de Ciências Sociais uma história da disciplina que ainda não se separou em Sociologia, Antropologia e Ciência Política? Foi esse o desafio enfrentado pela UFPR ao criar, na Reforma Curricular de 2010, três módulos simultâneos para a disciplina Pensamento Social Brasileiro, cada um conduzido por uma área de concentração diferente. O artigo de Alexandro Trindade reconstitui essa experiência inovadora e pergunta por que, mais de uma década depois, ela deixou de ser obrigatória, nos fazendo refletir sobre o que essa mudança revela acerca das tensões entre uma formação ampla e a crescente especialização dos departamentos e de seus programas de pós-graduação.

Mobilizando perspectivas diversas, a série reunirá nas próximas quintas-feiras pesquisadoras e pesquisadores da história e do ensino das Ciências Sociais, das sociologias da educação, do currículo e do conhecimento, e do pensamento social contemporâneo, para debater as formas, os deslocamentos e os desafios dos dispositivos curriculares e formativos atuais.

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Sociológicas | Operando o trator rosa: “é muito perigoso, mas adoro o que faço, é uma conquista”, por Maria Moraes

Chegando ao quinto episódio de sua participação na série Sociológicas, Maria Moraes (UFSCar) discute as consequências da agricultura 4.0 nas plantações de cana-de-açúcar. Não é novidade que o uso de Tecnologias de Informação (TIs) vem transformando a agropecuária brasileira. O notável aumento de produtividade está em curso, motivado sobretudo por um neoliberalismo crescente. Com os incrementos tecnológicos na produção, entretanto, Moraes argumenta que surgem ou se intensificam também outras formas de controle e violência sobre os trabalhadores, especialmente as mulheres. Como ela diz, estamos diante de um deslizamento do conceito de gênero, produzido por esse modelo de produção, que pode servir como importante chave interpretativa das nova dinâmicas de relações no trabalho rural.

Sociológicas é um espaço de reflexão da BVPS Edições, voltado para discutir problemas do presente e os processos sociais que este ainda oculta, a partir de uma perspectiva sociológica.

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BVPS Edições | Ensinar Pensamento Social | Impasses na formação: o pensamento social brasileiro nas Ciências Sociais da UFC, por Andréa Borges Leão

No terceiro post da série Ensinar Pensamento Social, uma parceria com o INCT/CNPq Instituto Igualdade e Aprendizado Social organizada por Arilda Arboleya (UFPI), publicamos “Impasses na formação: o pensamento social brasileiro nas Ciências Sociais da UFC”, de Andréa Borges Leão (UFC).

O que os arquivos de uma disciplina podem revelar sobre as disputas simbólicas do presente em torno da formação em Ciências Sociais? Examinando ementas, programas, planos de curso e bibliografias, Andréa Borges Leão passa em revista a história do Pensamento Social Brasileiro na Universidade Federal do Ceará e aponta o que se perde quando, em nome da adequação às demandas do mercado de trabalho, o Pensamento Social Brasileiro deixa de ocupar um lugar obrigatório na formação.

Mobilizando perspectivas diversas, a série reunirá nas próximas quintas-feiras pesquisadoras e pesquisadores da história e do ensino das Ciências Sociais, das sociologias da educação, do currículo e do conhecimento, e do pensamento social contemporâneo, para debater as formas, os deslocamentos e os desafios dos dispositivos curriculares e formativos atuais.

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BVPS Edições | Ensinar Pensamento Social | Por uma sociologia da sociologia a partir dos livros didáticos, por Simone Meucci

No segundo post da série Ensinar Pensamento Social, uma parceria com o INCT/CNPq Instituto Igualdade e Aprendizado Social organizada por Arilda Arboleya (UFPI), publicamos “Por uma sociologia da sociologia a partir dos livros didáticos”, de Simone Meucci (UFPR).

Nele, a autora ressalta a importância dos estudos sobre livros didáticos para a compreensão de como saberes científicos, filosóficos e artísticos são traduzidos para fins escolares em cada contexto histórico. Reconstituindo a trajetória do Plano Nacional do Livro e Material Didático (PNLD), o texto situa o crescimento recente das pesquisas sobre livros didáticos de sociologia no Brasil, impulsionado pela obrigatoriedade da disciplina no Ensino Médio, para mostrar como o Estado, ao definir editais e critérios de avaliação, acaba por moldar os próprios formatos e conteúdos do gênero didático no país.

Mobilizando perspectivas diversas, a série reunirá nas próximas quintas-feiras pesquisadoras e pesquisadores da história e do ensino das Ciências Sociais, das sociologias da educação, do currículo e do conhecimento, e do pensamento social contemporâneo, para debater as formas, os deslocamentos e os desafios dos dispositivos curriculares e formativos atuais.

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Sociológicas | “É muito duro, só a senhora vendo”, por Maria Moraes

Maria Moraes (UFSCar) escreve um texto potente sobre “a turma do veneno” nesta edição da série Sociológicas. A cada novo episódio, Moraes vem revelando a divisão do trabalho e as especificidades da participação feminina nas plantações paulistas.

A “turma do veneno” refere-se aos trabalhadores cuja função é extrair os capins de raízes profundas do canavial e distribuir formicidas e herbicidas em meio ao mar quente de cana. As fileiras são estreitas e infestadas de cobras; os venenos, danosos para os próprios aplicadores, que não raramente são afastados do trabalho ou requisitam transferência. Enjoos, vômitos e desmaios estão entre as queixas relatadas. Aqui, Maria Moraes apresenta tanto as sutilezas internas dessa dinâmica de trabalho quanto sua face exploratória mais explícita. E ainda traz um relato que colheu em 1997: …”O médico disse que eu fui intoxicada pelo veneno”.

Sociológicas é um espaço de reflexão da BVPS Edições, voltado para discutir problemas do presente e os processos sociais que este ainda oculta, a partir de uma perspectiva sociológica.

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BVPS Edições | Ensinar Pensamento Social | Apresentação de Arilda Arboleya

Em parceria com o INCT/CNPq Instituto Igualdade e Aprendizado Social, a BVPS inicia hoje a série Ensinar Pensamento Social, organizada por Arilda Arboleya (UFPI). A série se dedica a um tema que atravessa o campo do Pensamento Social Brasileiro sem receber a centralidade que merece nos debates: o seu lugar como componente curricular nos cursos de Ciências Sociais. Se a consolidação do campo já é reconhecida por sua presença em associações, grupos de pesquisa e periódicos, o mesmo não se pode dizer da dimensão do ensino, que segue pouco explorada diante de sua importância.

Na apresentação da série que publicamos hoje, partindo da constatação de que os dispositivos educacionais – currículos, ementas, programas de ensino – não são meros mecanismos formais, mas espaços de disputa em que se definem legitimidades, se distribuem poderes e se reproduzem (ou se contestam) formas de conhecer o social, Arilda Arboleya aponta os desafios que hoje interpelam o Pensamento Social Brasileiro nas salas de aula: as disputas em torno da diversificação do cânone, os apagamentos epistêmicos, as tensões entre permanência e obsolescência curricular.

Mobilizando perspectivas diversas, a série reunirá nas próximas quintas-feiras pesquisadoras e pesquisadores da história e do ensino das Ciências Sociais, das sociologias da educação, do currículo e do conhecimento, e do pensamento social contemporâneo, para debater as formas, os deslocamentos e os desafios dos dispositivos curriculares e formativos atuais.

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Sociológicas | As faxineiras dos canaviais, por Maria Moraes

Neste terceiro episódio de Maria Moraes (UFSCar) na série Sociológicas, a autora mostra como a mecanização da lavoura canavieira reorganizou o trabalho manual a partir de uma divisão sexual do trabalho que, entre outros efeitos, deslocou as mulheres para atividades ainda mais precarizadas. Moraes detalha, assim, o cotidiano das “faxineiras dos canaviais”, responsáveis pelo plantio, bituca, recolha de pedras e outras tarefas indispensáveis ao funcionamento da agroindústria. Segundo seu argumento, a modernização do agronegócio convive com antigas formas de exploração, reafirmando desigualdades de gênero e tornando invisíveis as contribuições das mulheres para a alta produtividade dos canaviais.

Sociológicas é um espaço de reflexão da BVPS Edições, voltado para discutir problemas do presente e os processos sociais que este ainda oculta, a partir de uma perspectiva sociológica.

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Sociológicas | O trabalho no eito e a volta para casa, por Maria Moraes

Depois de acompanharmos o caminhão dos boias-frias no primeiro episódio de sua participação na série Sociológicas, Maria Moraes (UFSCar) nos conduz agora ao eito, espaço onde o trabalho rural se realiza e se tornam visíveis as formas cotidianas de controle sobre os corpos das trabalhadoras. Aqui, a autora mostra como exploração econômica, patriarcado e racismo se constituem em organizações sociais distintas, que se entrelaçam na organização do trabalho agrícola. Desse entrecruzamento emergem diferentes formas de violência e enfrentamento: seja ao subir no caminhão, trabalhar no eito ou mandar embora os maridos agressores.

Sociológicas é um espaço de reflexão da BVPS Edições, voltado para discutir problemas do presente e os processos sociais que este ainda oculta, a partir de uma perspectiva sociológica.

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Sociológicas |  “‘Chorar em Silêncio’. Mulheres a caminho do eito”, por Maria Moraes

Seguindo o fio de Ariadne lançado no texto de abertura da série, Maria Moraes (UFSCar) inicia sua travessia pelos labirintos das plantações paulistas acompanhando as mulheres que foram expulsas do campo pelas transformações promovidas pela modernização agrícola. Neste primeiro episódio, o caminhão dos boias-frias emerge como objeto de análise. Moraes o discute não apenas como meio de transporte, mas espaço social de vigilância e disciplinamento, onde as trabalhadoras rurais precisam enfrentar os estigmas e as relações de poder que forçosamente atravessam suas vidas. Como ela escreve: o caminhão é o microcosmo da dominação de classe e gênero. Chorar em silêncio é um mergulho nas paisagens invisibilizadas do trabalho rural brasileiro.

Sociológicas é um espaço de reflexão da BVPS Edições, voltado para discutir problemas do presente e os processos sociais que este ainda oculta, a partir de uma perspectiva sociológica.

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Sociológicas | Descobrindo os labirintos das plantações paulistas, por Maria Moraes

Estreamos hoje a participação de Maria Moraes (UFSCar) na série Sociológicas! Uma das mais importantes pesquisadoras do trabalho rural no Brasil, a socióloga nos acompanhará em nove episódios quinzenais pelos labirintos das plantações paulistas – como o título desta abertura bem anuncia –, desconstruindo as imagens triunfalistas do agronegócio. Neles, ela realiza uma leitura a contrapelo da história agrária brasileira para revelar, nas camadas ocultas sob os discursos do progresso e da modernização, as paisagens invisibilizadas do mundo do trabalho, sobretudo no que diz respeito à participação feminina.

Pesquisadora do mundo rural há mais de quatro décadas, Maria Moraes dedicou-se às transformações do trabalho nas terras paulistas, às reestruturações produtivas, à concentração da propriedade da terra, às migrações e ao avanço de grandes grupos econômicos nacionais e internacionais. Laureada com o Prêmio Érico Vannucci Mendes em 2005 e com o Prêmio de Excelência Acadêmica Antonio Flávio Pierucci em Sociologia, conferido pela ANPOCS em 2024, é autora de obras fundamentais como Errantes do Fim do Século (1999) e A luta pela terra: experiência e memória (2004). Após passagem por cursos de pós-graduação de diversas instituições, atua desde 2007 como professora do Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal de São Carlos. Ela, e nós da BVPS, esperamos que estas reflexões possam contribuir para provocar outras e novas formas de ver as vidas, os corpos e as resistências de quem sustenta o país por baixo do mar de cana.

Sociológicas é um espaço de reflexão da BVPS Edições, voltado para discutir problemas do presente e os processos sociais que este ainda oculta, a partir de uma perspectiva sociológica. A série conta com a assessoria editorial de Onildo Correa (PPGSA/UFRJ).

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