Série Nordestes | Memórias de uma família sertaneja, por Onildo Correa

No dia do Nordestino, repostamos a reportagem “Memórias de uma família sertaneja”, produzida por Onildo Correa especialmente para a BVPS.

Em viagem a Serra do Ramalho, no fim de 2024, Onildo conviveu com a família do casal de idosos Alípio e Elizabete Leite, ouviu atentamente os relatos dos moradores e se debruçou sobre leituras acerca dessa região cercada pela vegetação rasteira da caatinga. A história dessa família, que migrou do árido interior de Alagoas na esperança de encontrar casa e terra para plantar no oeste baiano, marcou a retomada da Série Nordestes neste ano.

Não deixe de conferir a reportagem e acompanhar esta nova floração da Nordestes, que em breve trará muitas novidades.

Os posts da primeira floração da série podem ser conferidos no e-book Sociologia Política do Nordeste

Boa leitura!

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Série Nordestes | Ver para ler: Cícero Dias e Mário de Andrade, por Eneida Leal Cunha

Eneida Leal Cunha (UFRJ) se junta à nova floração da Série Nordestes com um ensaio sobre a relação entre o poeta paulista Mário de Andrade e o pintor pernambucano Cícero Dias. O texto é uma versão revista e ampliada de capítulo publicado em 2018 no livro Linguagens visuais: literatura, artes e cultura, organizado por Heidrun Krieger Olinto, Karl Erik Schøllhammer e Danusa Depes Portas.

A autora se pergunta que efeitos de vida e de escrita teria produzido o convívio entre o jovem artista Cícero Dias e o intelectual Mário de Andrade. Para responder, Eneida Leal Cunha traça a retrospectiva dessa relação; evoca pinturas, poemas, cartas, fotografias, relatos – toda uma sorte de conteúdos artísticos e fatos históricos. Esses elementos apontam, segundo seu argumento, para uma singular combinatória de pulsões e afetos. Isto é, o pintor e o poeta eram sim diferentes: dispersão onírica e erotismo nas aquarelas do primeiro; olhar etnográfico e apropriação lúcida de recortes e documentos do Brasil, no segundo. Entretanto, sugere Cunha, havia mais em jogo nas entrelinhas dessa relação e, destarte, naquilo que ambos produziram e efetivamente se tornaram.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Natal (18 de dezembro, 21 horas)

O Turista Aprendiz chega às Rocas, um dos bairros mais antigos de Natal, e nos convida a acompanhá-lo até uma região que outrora fora “valhacouto dos facinorosos”. Sua escrita, aqui, está particularmente detalhada. Escreve o ambiente e a gente que se alegra com seu entusiasmo. Mário está prestes a assistir ao ensaio da Chegança ao Natal, dança dramática que encena os fatos cotidianos de um navio de guerra. Seu olhar, iluminado diante da força popular, imperfeita, viva, brasileira, anota o valor da resistência e das artes nordestinas, que o comovem até a sublime exaltação.   

Com postagens sempre às terças-feiras, todas as crônicas da viagem de Mário de Andrade ao Nordeste foram integralmente transcritas do jornal Diário Nacional, a partir da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. À tarde, não deixe de conferir texto de Eneida Leal Cunha para a série! Para saber mais sobre o retorno da Série Nordestes, clique aqui.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Natal (17 de dezembro, 21 horas)

O que pode surgir de um simples pedido para ver um Pastoril de Ano Novo, em pleno sertão potiguar? Mário de Andrade interrompe brevemente sua sequência de crônicas de viagem para narrar um caso que, apesar de parecer invenção literária, de tão insólito, é “absolutamente verdadeiro”. A história de Clotildes e Antonio de Oliveira Bretas, um senhor de engenho norte-rio-grandense, levada às últimas consequências por uma inusitada obstinação. Como é de se esperar, a ironia e o fino senso de humor do modernista deixa o causo ainda mais irresistível.

Com postagens sempre às terças-feiras, todas as crônicas da viagem de Mário de Andrade ao Nordeste foram integralmente transcritas do jornal Diário Nacional, a partir da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. Para saber mais sobre o retorno da Série Nordestes, clique aqui.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Natal (16 de dezembro)

De todas as cidades nordestinas que Mário de Andrade visitou até agora, Natal é a que mais o encantou. Longe do exotismo, a cidade se apresenta como um “encanto honesto”, familiar, com ar de chácara e ventos que atravessam o corpo tal qual um véu. Uma capital sem estridências, cheia de humanidade cotidiana, onde até o rio Potengi revela beleza aos poucos. Nessa crônica do encanto, as palavras de Mário não deixam dúvidas: foi escrita por quem se sente feliz e pronto para a vida que acontece.

Com postagens sempre às terças-feiras, todas as crônicas da viagem de Mário de Andrade ao Nordeste foram integralmente transcritas do jornal Diário Nacional, a partir da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. Para saber mais sobre o retorno da Série Nordestes, clique aqui.

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Série Nordestes | Uma aventura de sensibilidade e missão: Mário de Andrade e o Nordeste nas páginas de O turista aprendiz, por Rômulo Santos de Almeida

Rômulo Santos de Almeida, doutorando em Sociologia pelo PPGS/UFPE, junta-se a Mário de Andrade em nossa travessia pelos Nordestes. Seu texto apresenta um balanço das crônicas de viagem já lidas até aqui, além de algumas informações e impressões sobre o que ainda está por vir. O autor, assim, argumenta em favor de uma das principais características do poeta paulista, que vemos se reafirmar crônica após crônica de O turista aprendiz: a capacidade empática de escuta e aprendizado diante de mundos novos. A viagem ao Nordeste, diz Almeida, impactou enormemente tanto a vida pessoal quanto o projeto de Mário de Andrade, com repercussões concretas à realidade brasileira. Não deixe de conferir.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Natal (15 de dezembro, 22 horas)

Mário de Andrade passa sua primeira noite em Natal. Instalado no bairro Alto do Tirol, deixa-se transportar às praças de uma Florença renascentista. É a musicalidade nordestina que o contagia, levando-o a revisitar o que já escrevera sobre a música brasileira. Nesse ensejo, reflete ainda sobre os limites do seu ofício. Seria ele, afinal, um folclorista? Um cientista? A essas indagações, o próprio Mário oferece resposta, com sua característica ironia.

Com postagens sempre às terças-feiras, todas as crônicas da viagem de Mário de Andrade ao Nordeste foram integralmente transcritas do jornal Diário Nacional, a partir da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. À tarde, não deixe de conferir texto de Rômulo Almeida para a série! Para saber mais sobre o retorno da Série Nordestes, clique aqui.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Great Western (14 de dezembro)

Após breve dormida em Guarabira, Mário de Andrade retoma o compasso do trem, que levanta poeira em direção ao verde-mar de Natal. Seu olhar recolhe a beleza agreste de animais, bromélias e xiquexiques; seus ouvidos captam conversas repletas de imagens, como se saídas de um José de Alencar mais realista. Fascinado pelo cotidiano nordestino e pelas paisagens que se transformam a cada hora de percurso, o viajante então converte a realidade em poesia. A partir dos próximos dias, será na capital Potiguar que ele terá sua nova morada. Não perca.

Com postagens sempre às terças-feiras, todas as crônicas da viagem de Mário de Andrade ao Nordeste foram integralmente transcritas do jornal Diário Nacional, a partir da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. Para saber mais sobre o retorno da Série Nordestes, clique aqui.

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Nordestes imagens: igualdade e desigualdades | Teimosia e aprendizado social, por Lilia Schwarcz

Em mais uma edição da coluna Nordestes imagens: igualdade e desigualdades, Lilia Moritz Schwarcz (USP) discute as formas de representação do povo brasileiro, em especial das populações nordestinas, a partir da série fotográfica Brasília Teimosa, de Bárbara Wagner. O ensaio revisita as imagens oficiais de Brasília, capital projetada sob o signo do progresso, para contrapô-las a registros que revelam a criatividade e a resistência de uma comunidade periférica do Recife. Schwarcz, assim, analisa como a “teimosia” dos moradores desse bairro, ameaçados de remoção desde os anos 1950, transformou-se em símbolo de luta e aprendizado coletivo, em oposição à invisibilidade historicamente imposta a essas populações. Nesse cenário, as fotografias de Bárbara Wagner convertem-se num convite para reconhecer, no cotidiano popular, não apenas as reiteradas marcas da exclusão, mas também a força criadora de novos vocabulários sociais, culturais e políticos.

A coluna de Lilia Schwarcz na Série Nordestes visa formar um repertório das múltiplas conexões entre imagens, territórios e temporalidades de diferentes grupos sociais da região, surpreendendo mudanças e continuidades. Para saber mais sobre o retorno da Série Nordestes, clique aqui.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Great Western (13 de dezembro)

De trem, Mário de Andrade percorre terras nordestinas como quem atravessa o tempo. A viagem de Recife a Guarabira (PB) leva onze horas. A cada parada, o Brasil se transforma um pouco: a fala, a vegetação, a poeira. Comparações com São Paulo são inevitáveis. Mas há também algo de singular no que, para ele, toma agora a forma de novidade. Atento ao que escasseia e ao que transborda, Mário compõe a imagem de um Brasil vasto demais para caber em qualquer lugar que não em sua escrita. E mesmo cansado, suado, coberto de estrada, anota: há beleza no desgaste.

Com postagens sempre às terças-feiras, todas as crônicas da viagem de Mário de Andrade ao Nordeste foram integralmente transcritas do jornal Diário Nacional, a partir da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. À tarde, não deixe de conferir novo texto de Lilia Schwarcz para a série! Para saber mais sobre o retorno da Série Nordestes, clique aqui.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Recife (12 de dezembro, 20 horas)

Mário de Andrade atravessa uma cidade que não esconde o que perdeu. Está à procura da praia da Boa Vista, em Recife, sob a noite alumiada por casinhas. Chamam-lhe a atenção as cenas de pobreza: os mucambos à beira d’água, como luzes doentes. Não que já não estivesse habituado; não que no Rio ou em São Paulo não houvesse um sem-fim de gente vivendo na desventura… Ainda assim, Mário sugere que, nos mucambos de Recife, habitam traços singulares. Quais? Nesta crônica da tristeza social, as linhas do modernista mostram-se especialmente sensíveis.

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Série Nordestes | Heróis e bandidos & D. Dolores e o bando de Lampião, por Isabel Lustosa

Isabel Lustosa (Universidade Nova de Lisboa) junta-se à Série Nordestes com dois textos que se complementam na tarefa de desmistificar o cangaço e a figura de Virgulino Ferreira da Silva, o histórico Lampião. O ponto de partida é uma lembrança de infância de sua mãe, que testemunhou a invasão de Cajazeiras, na Paraíba; episódio depois confirmado em registros históricos e na literatura de Ivan Bichara. Lustosa, assim, mostra como histórias locais se misturam a medos coletivos e à mítica do “rei do cangaço”. Vai além da memória pessoal para questionar o mito de Lampião como herói popular e revelar sua faceta violenta, cruel e pouco comprometida com a melhoria da vida do povo. Isso para desmontar, afinal, a imagem do “Robin Hood sertanejo”, sugerindo como ela foi fabricada e por que ainda hoje continua a surpreender.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Igarassu (11 de dezembro, de manhã)

Após uma semana de viagem náutica, com breves paradas em Maceió e Salvador, Mário de Andrade está enfim em Pernambuco. Começa escrevendo o interior: Igarassu, cidade emboscada de ladeiras e passado. No convento de São Francisco, a “guardiã mulata” cobra o preço justo da beleza – cinco mirréis e algum assombro. Os azulejos são sinos; os claustros, carinhos. E o modernista sai dali como quem ganha, por um a zero, o direito de contar que já viu o que poucos enxergam: o Brasil em sua glória barroca, quieta e teimosa.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Atlântico (10 de dezembro, 4 horas)

Ainda hoje chegará Mário de Andrade ao Recife. Esta é sua última crônica de navio. O mar se acaba, e com ele, Laura Moura. O modernista enfim descobriu o incômodo de gostar dessa mulher pequena e próxima, tão próxima quanto os pés de mesa. E assim, como se tudo no navio se evaporasse em chegada, Laura vira verso: seu rosto misturado ao som do jazz, à poeira do Piauí, ao sonho de uma casa que ainda não existe. Despedir-se, afinal, é também um jeito de gostar. O que Pernambuco reserva?

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Nordestes imagens: igualdade e desigualdades | Ex-votos: pedaços de fé, formas de aprendizado, por Lilia Schwarcz

Lilia Moritz Schwarcz (USP) retorna à sua coluna Nordestes imagens: igualdade e desigualdades com um ensaio que mergulha no universo simbólico dos ex-votos e suas ressonâncias na arte contemporânea. Herdeiros de tradições populares, indígenas e afro-atlânticas, os ex-votos vêm ganhando novas camadas de sentido ao serem reelaborados por artistas negros contemporâneos, que mobilizam elementos dessa linguagem visual para construir contranarrativas de cuidado, dor e ancestralidade. É assim que o texto, em uma cartografia visual das muitas formas de existir e persistir no Brasil, percorre uma série de obras e artistas para mostrar como esses objetos e imagens são suportes de mundos vivos e territórios de disputa. Um convite mais do que especial para refletirmos juntos sobre como as imagens tornam-se, também, caminhos de aprendizados sociais da igualdade. Imperdível.

A coluna de Lilia Schwarcz na Série Nordestes visa formar um repertório das múltiplas conexões entre imagens, territórios e temporalidades de diferentes grupos sociais da região, surpreendendo mudanças e continuidades. Para saber mais sobre o retorno da Série Nordestes, clique aqui.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Maceió (9 de dezembro)

Ah… Maceió! Mário de Andrade escreve uma celebração sensorial desta especial capital. Sua tão aguardada chegada é quase uma suspensão do tempo. Já não suportava mais o marasmo do navio. Agora ele é levado, não guia; vê tudo em movimento, tudo à flor do corpo: o verde do mar, o nadador, a arquitetura mansa. A cidade ainda é quase desconhecida, sim, mas já o atravessa em ritmo de festa. E nesse estopim, Mário mostra como se faz para deixar um lugar se aconchegar no espírito, de peito aberto.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Atlântico (8 de dezembro)

Se até ontem Mário de Andrade tinha a vista encantada pela cidade de Salvador, agora está de volta à nau, que segue devagar demais. Ele já se cansou até do próprio tédio. Escreve sobre o desgaste do que já foi prazer, sobre o tempo que se arrasta, a dificuldade de se relacionar – até mesmo com uma senhora piauiense mal-humorada e um menino curioso. E assim o modernista atravessa a calmaria, com vontade de naufrágio, ou de pelo menos um tubarão à vista. Maceió se aproxima.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: S. Salvador (7 de dezembro)

Mário de Andrade está atordoado e feliz. Sua linguagem acompanha esse estado de exuberância irregular, aberta ao caos vivo das ruas. É assim que, como um grito, a cidade de Salvador se impõe agora diante de seus olhos. Não há ordem previsível, não há languidez – apenas igrejas demais, cores demais, gente demais. E é preciso andar a pé, diz o modernista, para fazer parte do estardalhaço e ser devorado, com gosto, por ele. Seguimos?

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Série Nordestes | Memória das lutas e papel dos intelectuais, por Elide Rugai Bastos

Após o lançamento de mais uma crônica do modernista Mário de Andrade nesta manhã, Elide Rugai Bastos (Unicamp) – agraciada hoje com o Prêmio Florestan Fernandes na 22ª edição do Congresso da SBS – se junta à nova floração da Série Nordestes com o texto Memória das lutas e papel dos intelectuais. O ensaio é uma ampliação do artigo publicado sob o título 150 anos de um debate sobre a reforma agrária, nos Cadernos AEL, em 1997. Assim, Elide Rugai Bastos resgata aqui as ideias e o papel social do pernambucano mulato Antonio Pedro de Figueiredo, ainda no contexto escravista da década de 1840. Crítico contumaz da maneira como o Brasil se organizava, Figueiredo foi o responsável pela publicação da revista O Progresso, e seu debate sobre reforma agrária, mesmo após mais de 170 anos, segue surpreendentemente atual.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Atlântico (6 de Dezembro, 10 horas)

Ainda no deque do vapor Manaos, Mário de Andrade experimenta o bom tédio da travessia. O corpo mole, o vento quente, a música. Uma senhora estrangeira chama sua atenção, primeiro pelos pés, depois pela nacionalidade. Mas o que encanta mesmo o modernista é a Bahia que se aproxima, como uma nota sustentada ao longe, doce e monótona: mi, lá, lá, sol… Amanhã, São Salvador.

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