Nordestes imagens: igualdade e desigualdades | Entre a sala e a senzala: a varanda como espaço liminar na sociedade escravista brasileira, por Lilia Schwarcz & Lúcia Stumpf

Na edição de hoje da coluna Nordestes imagens: igualdade e desigualdades, Lilia Moritz Schwarcz (USP) e Lúcia K. Stumpf (UAM) analisam a iconografia de um espaço liminar do período escravista brasileiro: a varanda.

Espaço situado entre a senzala e a casa-grande, as autoras argumentam que a varanda se tornou uma espécie de símbolo do poder concentrado nos senhores de terra. Nada raras – e cheias de ambivalências –, as fotografias e pinturas desse espaço serviam como marcadores das desigualdades do período, mas também indicavam as fissuras e os esforços de afirmação de si de homens e mulheres subalternizados em condições extremas. Assim, a partir de imagens de Revert Henry Klumb e Arnaud Julien Pallière, e dialogando com autores como Gilberto Freyre, Rafael Marquese e Sidney Chalhoub, Schwarcz e Stumpf mostram que a varanda pode ser vista como uma potente metáfora da própria formação social brasileira.

A coluna de Lilia Schwarcz na Série Nordestes visa formar um repertório das múltiplas conexões entre imagens, territórios e temporalidades de diferentes grupos sociais da região, surpreendendo mudanças e continuidades. Para saber mais sobre a Série Nordestes, clique aqui. Outras colunas podem ser conferidas aqui.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Bom Jardim (7 de janeiro)   


Mário de Andrade está desde o dia 15 de dezembro de 1928 em Natal. Já escreveu sobre paisagens, tradições, encontros, problemas. Agora, sente que chegou a hora de tomar novos e momentâneos ares, partindo para viver, por alguns dias, a vida de engenho. Nesta crônica de percurso, Mário nos leva a um outro tempo e lugar, quase a ponto de também sentirmos o cheiro açucarado da bagaceira.

Com postagens sempre às terças-feiras, todas as crônicas da viagem de Mário de Andrade ao Nordeste foram integralmente transcritas do jornal Diário Nacional, a partir da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. À tarde, não deixe de conferir novo texto de Lilia Schwarcz e Lúcia Stumpf para a coluna Nordestes imagens: igualdade e desigualdades. Para saber mais sobre o retorno da Série Nordestes, clique aqui.

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Série Nordestes | Os Nordestes de Gilberto Freyre e de Celso Furtado, por Bernardo Ricupero

Bernardo Ricupero (USP) se junta à nova floração da Série Nordestes com texto sobre as possibilidades e os limites de duas das mais repercutidas interpretações de Nordeste do século XX, que significativamente pautaram o entendimento sobre a região.

Em Os Nordestes de Gilberto Freyre e de Celso Furtado, Ricupero compara diferenças e mostra como as ideias desses dois autores, do pernambucano Freyre e do paraibano Furtado, foram capazes de se traduzir em instituições, como a Fundação Joaquim Nabuco e a SUDENE, e articular preocupações e aspirações mais amplas, que transcenderam a região. Parte das diferenças entre suas visões, sugere o autor, derivam justamente da própria complexidade da região, que colocou estes intérpretes diante de perspectivas e experiências muito particulares. Mas, afinal, até que ponto o Nordeste ainda é a região pensada por eles?

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Natal (6 de janeiro, 22 horas)   


É Dia de Reis, e Mário de Andrade se lança às ruas de Natal para acompanhar as danças dramáticas nordestinas. Se em outras crônicas relatou a Chegança e o Pastoril, nesta o turista aprendiz versa sobre o Bumba meu Boi, festa nascida no Nordeste do século XVIII. A tradição popular é exaltada. Mas, como é também costumeiro em suas crônicas de viagem, Mário não se exime de colocar o dedo em certas feridas.

Com postagens sempre às terças-feiras, todas as crônicas da viagem de Mário de Andrade ao Nordeste foram integralmente transcritas do jornal Diário Nacional, a partir da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. À tarde, não deixe de conferir texto de Bernardo Ricupero para a série! Para saber mais sobre o retorno da Série Nordestes, clique aqui.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Natal (5 de janeiro)  


Mário de Andrade volta sua atenção para a lepra, problema urgente no Rio Grande do Norte de 1929. Segundo observa, a doença, relativamente recente no estado, vinha sendo enfrentada com medidas enérgicas, a exemplo da construção de um leprosário nos arredores de Natal. O modernista, entretanto, não deixa de registrar, com certo humor trágico, a história de um telegrafista que, na esperança de cura, passou a viver com uma cascavel à espera da picada milagrosa.

Com postagens sempre às terças-feiras, todas as crônicas da viagem de Mário de Andrade ao Nordeste foram integralmente transcritas do jornal Diário Nacional, a partir da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. Para saber mais sobre o retorno da Série Nordestes, clique aqui.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Natal (4 de janeiro)  


Mário de Andrade relata a eleição de dona Alzira Soriano para a prefeitura de Lajes, no interior do Rio Grande do Norte. O caso, inédito na cidade, é celebrado com banquetes e discursos. O modernista, entretanto, não deixa de notar também certa ironia, como o concurso de beleza que encerra a noite de posse e que teve como segunda colocada justamente a filha da nova prefeita.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Natal (3 de janeiro) 


Mário de Andrade escreve mais um texto sobre os catimbós norte-rio-grandenses. A repetição temática, como ele próprio diz, é intencional: faz parte do seu projeto de dar a conhecer o Brasil aos brasileiros. Nesta crônica religiosa, o modernista descreve santos, mestres, reinos espirituais, e valoriza a complexidade das religiões de matriz afro-indigena.

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Nordestes imagens: igualdade e desigualdades | O mestre e o Caseiro: o espelho e a ambiguidade, por Lilia Schwarcz & Lúcia Stumpf

Lilia Moritz Schwarcz (USP) recebe Lúcia K. Stumpf (UAM) em sua coluna Nordestes imagens: igualdade e desigualdades. Juntas, as autoras analisam as representações da chamada “democracia racial” e sua inversão crítica contemporânea, produzida pela obra O caseiro (2016), de Jonathas de Andrade.

O mestre e o caseiro: o espelho e a ambiguidade mergulha na justaposição encenada pelo filme de oito minutos de Jonathas de Andrade, em diálogo com O mestre de Apipucos (1959), de Joaquim Pedro de Andrade, que retrata cenas da vida doméstica de Gilberto Freyre. Se, no filme de 1959, é Freyre quem ocupa o centro da cena, na inversão proposta por Jonathas de Andrade é o corpo negro do caseiro que assume esse lugar, expondo, como sugerem Schwarcz e Stumpf, fissuras da memória social do país.

A coluna de Lilia Schwarcz na Série Nordestes visa formar um repertório das múltiplas conexões entre imagens, territórios e temporalidades de diferentes grupos sociais da região, surpreendendo mudanças e continuidades. Para saber mais sobre a Série Nordestes, clique aqui. Outras colunas podem ser conferidas aqui.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Natal (2 de Janeiro) 


Nos bairros operários de Natal, Mário de Andrade observa o cotidiano do trabalho e da moradia. Alecrim e Rocas desenham um cenário sem mucambos, mas nem por isso livre de dificuldades. Ainda assim, mesmo sob o ritmo rotinizado do trabalho e dos dias, irrompem cantigas que fazem persistir uma dimensão humana. Essa é uma crônica sobre proletários.

Com postagens sempre às terças-feiras, todas as crônicas da viagem de Mário de Andrade ao Nordeste foram integralmente transcritas do jornal Diário Nacional, a partir da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. À tarde, confira novo texto de Lilia Schwarcz e Lúcia Stumpf para a série! Para saber mais sobre o retorno da Série Nordestes, clique aqui.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Natal (1 de janeiro de 1929) 


Mário de Andrade volta sua razão para o “homem-do-povo” nordestino, em uma crônica que questiona a situação das assim chamadas “classes inferiores”. Afinal, é boa ou ruim? Segundo o próprio modernista observa, a vida do povo nordestino estava marcada pelos contrastes. Alegria e hospitalidade de mãos dadas com desigualdades das mais terríveis. Parafraseando sua ironia: se saúde e bem-estar fossem deduzíveis da alegria, o proletario nordestino vivia no paraíso.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Natal (31 de dezembro)


É o último dia do ano, e Mário de Andrade reitera a influência de Catolicismo nos catimbós de Natal. Aqui, o modernista transcreve duas rezas que denotam essa presença: uma oração para qualquer hora do dia e outra para guia da vida. E, para complementar, nos presenteia com uma oração a Tupã e um canto de Nanã-Giê, mestra protetora das mulheres, que trabalha no fundo do mar.

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Série Nordestes | Jean Duvignaud, um expert da Unesco na institucionalização da sociologia no Ceará, por Mariana Barreto

A Série Nordestes tem o prazer de publicar a tradução inédita, realizada por Mariana Barreto (UFC), do relatório da primeira missão da Unesco efetuada por Jean Duvignaud na Universidade Federal do Ceará. A tradução vem acompanhada de uma apresentação imperdível assinada pela própria tradutora, intitulada Jean Duvignaud, um expert da Unesco na institucionalização da sociologia no Ceará.

Segundo Andréa Borges Leão (UFC), que trabalhou com Mariana Barreto em uma pesquisa conjunta, o documento é de suma importância no que se refere a montagem de engrenagens institucionais necessárias à constituição de uma área específica do conhecimento no Nordeste brasileiro. O relatório aponta para caminhos de reflexão, como o estudo sobre as “contingências genealógicas dos indicadores nacionais”, que não podem mais perder de vista as trocas, apropriações e empréstimos entre as histórias regionais.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Redinha (30 de dezembro) 


Mário de Andrade oferece uma uma belíssima crônica sobre a Praia da Redinha. Ou, melhor dizendo, uma crônica sobre o feliz gozo de um dia natalense. Música, comida, dança – muita dança – e ventania atravessam os sentidos. É notável o seu encantamento. E como ele próprio escreve, o Redinha-Clube é um guaiamum escuro com as pernas luminosas sobre a areia.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Natal (29 de dezembro, 17 horas)


Na iminência do Ano-Novo, Mário de Andrade aproveita uma breve pausa em Natal para refletir sobre o sentido das tradições. Afinal, quais delas orientam sua literatura? Como conciliar o “moderno” com o “antigo”? Nessa crônica do tempo, o escritor reflete ainda sobre dilemas urbanos e aponta aquilo que considera algumas das positivas particularidade natalenses.

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Série Nordestes | Congresso Regionalista do Recife, por Elide Rugai Bastos

Temos hoje o retorno da Série Nordestes em 2026, que reestreia sua jornada pelas complexidades dessa multifacetada região com texto inédito da professora emérita da Unicamp, Elide Rugai Bastos.  

Em Congresso Regionalista do Recife, a autora revisita um emblemático momento da vida intelectual brasileira nos anos 1920, que celebrou, no último 7 de fevereiro, seu primeiro centenário. Organizado sob a liderança de Odilon Nestor e com participação direta de Gilberto Freyre, o Congresso propôs pensar o Nordeste como conjunto histórico e cultural constitutivo de um Brasil plural, em meio às intensas disputas sobre a ideia de “cultura nacional” e ao amplo cenário de crise que marcou o período de então. Elide Rugai Bastos, assim, mergulha nos aspectos positivos, nas tensões, polêmicas e desdobramentos ocasionados por esse marco do regionalismo brasileiro.  

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Natal (28 de dezembro, 24 horas) 


Chegamos à última sexta-feira de 1928, e Mário de Andrade aproveita para “fechar o corpo” no catimbó de dona Plastina. O novo ano se avizinha. Escreve, assim, essa crônica-cerimônia, que nos conduz diretamente aos procedimentos ritualísticos do catimbó e à interpretação do próprio modernista.

Com postagens sempre às terças-feiras, todas as crônicas da viagem de Mário de Andrade ao Nordeste foram integralmente transcritas do jornal Diário Nacional, a partir da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. À tarde, não deixe de conferir novo texto de Elide Rugai Bastos (Unicamp) para a série! Para saber mais sobre o retorno da Série Nordestes, clique aqui.

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Série Nordestes | Sentir e pensar o Brasil com Mário de Andrade, por André Botelho

Chegamos ao último texto da Série Nordestes no ano! Em “Sentir e pensar o Brasil com Mário de Andrade”, André Botelho (UFRJ) destaca a empatia com que Mário de Andrade lidou com as diferenças culturais em suas viagens pelo Brasil. O texto foi publicado originalmente como um dos capítulos do livro De olho em Mário de Andrade: uma descoberta intelectual e sentimental do Brasil, uma biografia sociológica do modernista trezentos, trezentos e cinquenta.

Como temos acompanhado ao longo da viagem do turista aprendiz ao Nordeste, publicada semanalmente na BVPS, e como o próprio Botelho argumenta, mais do que o fetiche da autenticidade da cultura popular, Mário valoriza a pluralidade cultural e defende o reconhecimento da dignidade dos seus portadores sociais.

Uma das novidades do próximo ano será a publicação integral de O turista aprendiz: uma nova edição que trará a experiência dialogada que estamos construindo ao longo deste ano em torno do livro de Mário e de sua viagem ao Nordeste, relida no contexto contemporâneo. A percepção das diversidades sem descuidar das desigualdades sociais, constitui recurso potente para uma nova reaproximação ao mundo social, cultural e político complexo do que agora, e com a ajuda de Mário, podemos chamar Nordestes – no plural.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Natal (27 de dezembro)


Mário de Andrade compartilha a história de Mestre Carlos. De acordo com o que ouviu dos devotos, um dos mestres mais impressionantes dos catimbós nordestinos, embora pouco mencionado entre os estudiosos das macumbas da Bahia e do Rio de Janeiro de então. Mário reconta sua trajetória desde a infância até ser encontrado morto ao pé da raiz do juremal, tecendo uma crônica que é um raro mergulho na lógica espiritual do catimbó.

Com postagens sempre às terças-feiras, todas as crônicas da viagem de Mário de Andrade ao Nordeste foram integralmente transcritas do jornal Diário Nacional, a partir da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. À tarde, confira texto de André Botelho para a série! Para saber mais sobre o retorno da Série Nordestes, clique aqui.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Natal (26 de dezembro)


Mário de Andrade retoma o tema das religiões de matriz afro-indígena. Se antes discutira as influências de religiosidade africana e ameríndia, desta vez quer mostrar como catolicismo se entranha (ou se esgarça) nas “práticas de feitiçaria brasileira”. No Rio e na Bahia, santos viram orixás; no Rio Grande do Norte, diz o modernista, o sincretismo dá lugar a mestres ameríndios rigorosamente católicos, como o Rei Eron, curador de feridas impossíveis.

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Nordestes imagens: igualdade e desigualdades | Flávio Cerqueira, um escultor de significados ou a igualdade na desigualdade, por Lilia Schwarcz

Lilia Moritz Schwarcz (USP) mergulha na produção artística do escultor Flávio Cerqueira, conduzindo-nos pela história, símbolos, materiais, técnicas e, sobretudo, pelo amplo repertório de sentidos que suas obras evocam. Reconhecido pelo trabalho com o bronze, Schwarcz mostra como o artista se tornou um escultor de significados, sempre em busca de novos vocabulários visuais, especialmente diante dos contextos opressivos que marcam o Brasil. Flávio Cerqueira, como argumenta a autora, tirou o bronze do pedestal, rompeu as dicotomias entre o rígido e o moldável e criou uma arte ao mesmo tempo tesa e flexível, aplicada às cenas mais cotidianas e, ainda assim, carregadas de beleza e afeto.

Não deixem de conferir o texto e também a exposição Flávio Cerqueira: um escultor de significados, em cartaz até 18 de janeiro de 2026 no CCBB Rio, que conta com curadoria de Lilia Schwarcz.

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