Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Natal (25 de dezembro, 11 horas)

Após a longa noite natalina de ontem, Mário de Andrade e Cristovam Dantas seguem para a praia. Areia Negra, a melhor para banho em Natal, segundo o modernista. Mas não só sobre a deliciosa paisagem natural se volta ele. Mário escreve uma crônica sobre as identidades regionais, sobre o orgulho – e até certo bairrismo – no pertencer a um estado federativo. Comparações com São Paulo, seu lugar de origem, são inevitáveis. Aqui, a verve cosmopolita de Mário de Andrade grita.

Com postagens sempre às terças-feiras, todas as crônicas da viagem de Mário de Andrade ao Nordeste foram integralmente transcritas do jornal Diário Nacional, a partir da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. À tarde, não deixe de conferir novo texto de Lilia Schwarcz para a série. Para saber mais sobre o retorno da Série Nordestes, clique aqui.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Natal (noite de Natal)

É noite de Natal, e Mário de Andrade experiencia esse importante feriado religioso na homônima capital. A sensação deixada, diz ele, é alegre e triste. Há dança, muita dança, e o canto que reúne um tanto de gente sob a iluminação “maleteira”. Com sua escrita, Mário nos conduz diretamente a esse ambiente e o fixa no tempo. Só nos resta aproveitar.   

Com postagens sempre às terças-feiras, todas as crônicas da viagem de Mário de Andrade ao Nordeste foram integralmente transcritas do jornal Diário Nacional, a partir da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. Para saber mais sobre o retorno da Série Nordestes, clique aqui.

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Série Nordestes | Resenha de “Só sei que foi assim: a trama do preconceito contra o povo do Nordeste”, por Onildo Correa

A Série Nordestes traz resenha de Onildo Correa (PPGSA/UFRJ) sobre o livro Só sei que foi assim: a trama do preconceito contra o povo do Nordeste, de Octávio Santiago, publicado em maio de 2025 pela editora Autêntica. Resultado de sua tese de doutorado na Universidade do Minho (Portugal), o livro traça um panorama histórico de como as complexidades da região – com sua diversidade de povos e culturas – foram convertidas, no imaginário nacional, a uma ficção homogeneizante. No lugar de Nordestes, no plural, como defende nossa série, um Nordeste monotemático, caricato, associado à miséria e ao rudimentar. Segundo Correa, o livro cumpre assim importante papel intelectual e político, efetivando-se como um manual de antipreconceito, embora também incorra em certos problemas que sua própria tese visa criticar. Vale a leitura para verificar quais!

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Natal (23 de dezembro)

Certas experiências ou visões, dessas que chamam a atenção de Mário de Andrade em Natal, já não despertam mais estranhamento nos natalenses. É o crescente acostumar-se ao cotidiano, que, entretanto, não impede o modernista de se deixar afetar pelas paisagens, festas e pessoas. Nessa crônica dos detalhes da vida, Mário se deixa tomar pelos quatro cantos da vista e nos conduz a um lugar que talvez só persista em sua escrita.

Com postagens sempre às terças-feiras, todas as crônicas da viagem de Mário de Andrade ao Nordeste foram integralmente transcritas do jornal Diário Nacional, a partir da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. À tarde, não perca resenha de Onildo Correa para a série. Para saber mais sobre o retorno da Série Nordestes, clique aqui.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Natal (22 de dezembro)

Mario de Andrade declara que manifestações de arte popular não são seu único interesse de viagem, e assim escreve uma crônica sobre religiões de matriz afro-indígena. Passeia pelas diferenças da macumba, pagelança e catimbó; descreve santos, mestres e as distintas influências de origem religiosa, que variam de estado para estado no Norte e Nordeste; e, como de costume, ainda encontra espaço para a já conhecida ironia crítica do turista aprendiz.  

Com postagens sempre às terças-feiras, todas as crônicas da viagem de Mário de Andrade ao Nordeste foram integralmente transcritas do jornal Diário Nacional, a partir da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. Para saber mais sobre o retorno da Série Nordestes, clique aqui.

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Nordestes imagens: igualdade e desigualdades | Rubem Valentim: a riscadura brasileira como vocabulário cosmopolita, por Lilia Schwarcz

Lilia Moritz Schwarcz (USP) assina ensaio sobre Rubem Valentim: artista plástico soteropolitano nascido no emblemático ano de 1922 – embora nunca tenha se conformado ao cânone do movimento modernista paulista – que se tornou expoente de um design próprio nas artes brasileiras. De maneira muito particular, Valentim aliava formas geométricas, cores, repertórios do universo religioso de matriz africana e uma ampla gama de elementos culturais para compor o que denominava de “riscadura brasileira”. Isto é, segundo Schwarcz, uma arte à procura de “uma cultura popular” que fosse baiana ao mesmo tempo que nacional. O ensaio, assim, revisita a iconografia e a história de formação e desenvolvimento do artista, mostrando como sua obra é irredutível a classificações fechadas.

A coluna de Lilia Schwarcz na Série Nordestes visa formar um repertório das múltiplas conexões entre imagens, territórios e temporalidades de diferentes grupos sociais da região, surpreendendo mudanças e continuidades. Para saber mais sobre a Série Nordestes, clique aqui. Outras colunas podem ser conferidas aqui.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Natal (21 de dezembro, 16 horas)

Mário de Andrade faz do caju um objeto de reflexão. Pseudofruto saboroso, de se comer aos bocados e, quando melhor, acompanhado de um golpe de aguardente, que o rebate e o diviniza. Mário observa, entretanto, que a alimentação do caju não se restringe ao universo dos prazeres, e bem por isso, o modernista sugere uma singular “conceitualidade marxista do caju”, no qual comê-lo é participar de uma troca. Não deixe de conferir.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Natal (20 de dezembro, 22 horas)

“Ai, redondo, sinhá!”, canta José. Na escuta de um “coqueiro” nordestino, em Natal, Mário de Andrade registra um mundo de sons que escapa à escala musical europeia. Impressiona-se com o que alguns poderiam chamar simplesmente de “fora de tom”, mas que, aos seus ouvidos, possui lógica própria: sistematizada, viva. E que voz! Exclama o modernista. Para Mário, o que se escuta é um fora de tom proposital – e, por isso mesmo, positivo – que ressoa a sonoridade encantadora de um povo.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Natal (19 de dezembro, 19 horas)

Mário de Andrade encontra Jorge Fernandes em Natal: poeta potiguar, modernista, que há pouco havia publicado o seu “admirável” Livro de Poemas (1927). Apesar da baixa repercussão desse primeiro (e único) livro de poesia de Fernandes – o que o faz ri meio desapontado – Mário reconhecia ali uma das expressões mais autênticas da poesia brasileira de seu tempo, profundamente ligada à vida nordestina. Como ele próprio diz: poesia popular, nascida da carne, em que a memória do corpo abandonou a memória literalista da inteligência.

Com postagens sempre às terças-feiras, todas as crônicas da viagem de Mário de Andrade ao Nordeste foram integralmente transcritas do jornal Diário Nacional, a partir da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. Para saber mais sobre o retorno da Série Nordestes, clique aqui.

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Série Nordestes | Memórias de uma família sertaneja, por Onildo Correa

No dia do Nordestino, repostamos a reportagem “Memórias de uma família sertaneja”, produzida por Onildo Correa especialmente para a BVPS.

Em viagem a Serra do Ramalho, no fim de 2024, Onildo conviveu com a família do casal de idosos Alípio e Elizabete Leite, ouviu atentamente os relatos dos moradores e se debruçou sobre leituras acerca dessa região cercada pela vegetação rasteira da caatinga. A história dessa família, que migrou do árido interior de Alagoas na esperança de encontrar casa e terra para plantar no oeste baiano, marcou a retomada da Série Nordestes neste ano.

Não deixe de conferir a reportagem e acompanhar esta nova floração da Nordestes, que em breve trará muitas novidades.

Os posts da primeira floração da série podem ser conferidos no e-book Sociologia Política do Nordeste

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Série Nordestes | Ver para ler: Cícero Dias e Mário de Andrade, por Eneida Leal Cunha

Eneida Leal Cunha (UFRJ) se junta à nova floração da Série Nordestes com um ensaio sobre a relação entre o poeta paulista Mário de Andrade e o pintor pernambucano Cícero Dias. O texto é uma versão revista e ampliada de capítulo publicado em 2018 no livro Linguagens visuais: literatura, artes e cultura, organizado por Heidrun Krieger Olinto, Karl Erik Schøllhammer e Danusa Depes Portas.

A autora se pergunta que efeitos de vida e de escrita teria produzido o convívio entre o jovem artista Cícero Dias e o intelectual Mário de Andrade. Para responder, Eneida Leal Cunha traça a retrospectiva dessa relação; evoca pinturas, poemas, cartas, fotografias, relatos – toda uma sorte de conteúdos artísticos e fatos históricos. Esses elementos apontam, segundo seu argumento, para uma singular combinatória de pulsões e afetos. Isto é, o pintor e o poeta eram sim diferentes: dispersão onírica e erotismo nas aquarelas do primeiro; olhar etnográfico e apropriação lúcida de recortes e documentos do Brasil, no segundo. Entretanto, sugere Cunha, havia mais em jogo nas entrelinhas dessa relação e, destarte, naquilo que ambos produziram e efetivamente se tornaram.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Natal (18 de dezembro, 21 horas)

O Turista Aprendiz chega às Rocas, um dos bairros mais antigos de Natal, e nos convida a acompanhá-lo até uma região que outrora fora “valhacouto dos facinorosos”. Sua escrita, aqui, está particularmente detalhada. Escreve o ambiente e a gente que se alegra com seu entusiasmo. Mário está prestes a assistir ao ensaio da Chegança ao Natal, dança dramática que encena os fatos cotidianos de um navio de guerra. Seu olhar, iluminado diante da força popular, imperfeita, viva, brasileira, anota o valor da resistência e das artes nordestinas, que o comovem até a sublime exaltação.   

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Natal (17 de dezembro, 21 horas)

O que pode surgir de um simples pedido para ver um Pastoril de Ano Novo, em pleno sertão potiguar? Mário de Andrade interrompe brevemente sua sequência de crônicas de viagem para narrar um caso que, apesar de parecer invenção literária, de tão insólito, é “absolutamente verdadeiro”. A história de Clotildes e Antonio de Oliveira Bretas, um senhor de engenho norte-rio-grandense, levada às últimas consequências por uma inusitada obstinação. Como é de se esperar, a ironia e o fino senso de humor do modernista deixa o causo ainda mais irresistível.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Natal (16 de dezembro)

De todas as cidades nordestinas que Mário de Andrade visitou até agora, Natal é a que mais o encantou. Longe do exotismo, a cidade se apresenta como um “encanto honesto”, familiar, com ar de chácara e ventos que atravessam o corpo tal qual um véu. Uma capital sem estridências, cheia de humanidade cotidiana, onde até o rio Potengi revela beleza aos poucos. Nessa crônica do encanto, as palavras de Mário não deixam dúvidas: foi escrita por quem se sente feliz e pronto para a vida que acontece.

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Série Nordestes | Uma aventura de sensibilidade e missão: Mário de Andrade e o Nordeste nas páginas de O turista aprendiz, por Rômulo Santos de Almeida

Rômulo Santos de Almeida, doutorando em Sociologia pelo PPGS/UFPE, junta-se a Mário de Andrade em nossa travessia pelos Nordestes. Seu texto apresenta um balanço das crônicas de viagem já lidas até aqui, além de algumas informações e impressões sobre o que ainda está por vir. O autor, assim, argumenta em favor de uma das principais características do poeta paulista, que vemos se reafirmar crônica após crônica de O turista aprendiz: a capacidade empática de escuta e aprendizado diante de mundos novos. A viagem ao Nordeste, diz Almeida, impactou enormemente tanto a vida pessoal quanto o projeto de Mário de Andrade, com repercussões concretas à realidade brasileira. Não deixe de conferir.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Natal (15 de dezembro, 22 horas)

Mário de Andrade passa sua primeira noite em Natal. Instalado no bairro Alto do Tirol, deixa-se transportar às praças de uma Florença renascentista. É a musicalidade nordestina que o contagia, levando-o a revisitar o que já escrevera sobre a música brasileira. Nesse ensejo, reflete ainda sobre os limites do seu ofício. Seria ele, afinal, um folclorista? Um cientista? A essas indagações, o próprio Mário oferece resposta, com sua característica ironia.

Com postagens sempre às terças-feiras, todas as crônicas da viagem de Mário de Andrade ao Nordeste foram integralmente transcritas do jornal Diário Nacional, a partir da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. À tarde, não deixe de conferir texto de Rômulo Almeida para a série! Para saber mais sobre o retorno da Série Nordestes, clique aqui.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Great Western (14 de dezembro)

Após breve dormida em Guarabira, Mário de Andrade retoma o compasso do trem, que levanta poeira em direção ao verde-mar de Natal. Seu olhar recolhe a beleza agreste de animais, bromélias e xiquexiques; seus ouvidos captam conversas repletas de imagens, como se saídas de um José de Alencar mais realista. Fascinado pelo cotidiano nordestino e pelas paisagens que se transformam a cada hora de percurso, o viajante então converte a realidade em poesia. A partir dos próximos dias, será na capital Potiguar que ele terá sua nova morada. Não perca.

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Nordestes imagens: igualdade e desigualdades | Teimosia e aprendizado social, por Lilia Schwarcz

Em mais uma edição da coluna Nordestes imagens: igualdade e desigualdades, Lilia Moritz Schwarcz (USP) discute as formas de representação do povo brasileiro, em especial das populações nordestinas, a partir da série fotográfica Brasília Teimosa, de Bárbara Wagner. O ensaio revisita as imagens oficiais de Brasília, capital projetada sob o signo do progresso, para contrapô-las a registros que revelam a criatividade e a resistência de uma comunidade periférica do Recife. Schwarcz, assim, analisa como a “teimosia” dos moradores desse bairro, ameaçados de remoção desde os anos 1950, transformou-se em símbolo de luta e aprendizado coletivo, em oposição à invisibilidade historicamente imposta a essas populações. Nesse cenário, as fotografias de Bárbara Wagner convertem-se num convite para reconhecer, no cotidiano popular, não apenas as reiteradas marcas da exclusão, mas também a força criadora de novos vocabulários sociais, culturais e políticos.

A coluna de Lilia Schwarcz na Série Nordestes visa formar um repertório das múltiplas conexões entre imagens, territórios e temporalidades de diferentes grupos sociais da região, surpreendendo mudanças e continuidades. Para saber mais sobre o retorno da Série Nordestes, clique aqui.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Great Western (13 de dezembro)

De trem, Mário de Andrade percorre terras nordestinas como quem atravessa o tempo. A viagem de Recife a Guarabira (PB) leva onze horas. A cada parada, o Brasil se transforma um pouco: a fala, a vegetação, a poeira. Comparações com São Paulo são inevitáveis. Mas há também algo de singular no que, para ele, toma agora a forma de novidade. Atento ao que escasseia e ao que transborda, Mário compõe a imagem de um Brasil vasto demais para caber em qualquer lugar que não em sua escrita. E mesmo cansado, suado, coberto de estrada, anota: há beleza no desgaste.

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Série Nordestes | O Turista Aprendiz: Recife (12 de dezembro, 20 horas)

Mário de Andrade atravessa uma cidade que não esconde o que perdeu. Está à procura da praia da Boa Vista, em Recife, sob a noite alumiada por casinhas. Chamam-lhe a atenção as cenas de pobreza: os mucambos à beira d’água, como luzes doentes. Não que já não estivesse habituado; não que no Rio ou em São Paulo não houvesse um sem-fim de gente vivendo na desventura… Ainda assim, Mário sugere que, nos mucambos de Recife, habitam traços singulares. Quais? Nesta crônica da tristeza social, as linhas do modernista mostram-se especialmente sensíveis.

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