Coluna Primeiros Escritos | Aprendendo a ler os entre-lugares: notas sobre Silviano Santiago e o cosmopolitismo, por Guilherme Prates

No mês de postagens da SILVIANO SANTIAGO 90+, em homenagem aos 90 anos do escritor mineiro na BVPS, não poderia faltar um texto na coluna Primeiros Escritos, voltada à estudantes de pós-graduação. Talvez não exista mesmo maior homenagem a um autor do que saber que sua obra continua viva, interpelando e suscitando perguntas e dedicação por parte das novas gerações – no caso, novíssima geração, ainda em formação.

Guilherme Prates, mestrando no PPGS/UFRJ, nos conta um pouco dos desafios de pesquisar a obra instigante, complexa e vasta de Silviano. A despeito de um recorte específico – no seu caso, a questão do cosmopolitismo do pobre – faz-se necessário percorrer o conjunto da obra, no geral e no detalhe, pois o pensamento de Silviano é reescrito permanentemente e suas categorias analíticas são não apenas transversais, mas vão ganhando novas camadas de significado a cada momento. Mas o desafio é tão estimulante e prazeroso que o texto de Guilherme, além de um testemunho pessoal, é também um convite para novos interlocutores e diálogos que, a essa altura, vão se avolumando numa fortuna crítica cada vez mais importante, dentro e fora do Brasil, na literatura, no cinema e também na sociologia.

Parabéns Silviano Santiago e parabéns ao Silviano Santiago que se faz e refaz também como tema de estudos e interesse da juventude.

Aproveitamos para lembrar que a coluna Primeiros Escritos segue aberta para contribuições de estudantes de pós-graduação. Para conhecer mais sobre a iniciativa, clique aqui.

Boa leitura!

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Coluna Primeiros Escritos | Série Nordestes | Navegar é preciso; viver não é preciso: Nordestes de Mário de Andrade, por João Candido Stringari

A BVPS publica hoje uma edição extra da Série Nordestes com o texto de João Candido Stringari (PPGS/UFRJ), “Navegar é preciso; viver não é preciso: Nordestes de Mário de Andrade”, sobre o lançamento da nova edição do diário de viagem de Mário de Andrade ao Nordeste (1928-1929), organizada por André Botelho (UFRJ) e Onildo Correa (PPGS/UFRJ) e publicada pela Casa Matinas.

O texto apresenta o vídeo do debate de lançamento, promovido pela Escola de Letras e pelo Departamento de Teoria e Estética do Teatro da UNIRIO, em um convite a todos e todas para o (re)assistirem.

O ensaio nos oferece uma chave de leitura para compreender as escolhas da nova edição: a separação do relato nordestino do diário anterior, ao Norte, amalgamado desde 1976 sob o título O turista aprendiz; e a preservação da grafia modernista, contra a normalização feita por Carlos Drummond de Andrade em A lição do amigo (1982). Essa restituição, aliás, tem nome de batismo emprestado. Nordestes é o primeiro volume de uma nova coleção da Casa Matinas, batizada, em gesto de gratidão pública ao trabalho de Flora Sussekind, com o título de um dos livros da autora: O Brasil não é longe daqui (1990). O título de Sussekind, professora da própria Unirio onde o livro foi lançado, condensa quase inteiramente o programa que atravessa o diário de Mário: a suspeita de que a alteridade mais radical não precisa ser buscada do outro lado do Atlântico, porque já mora, entranhada, a poucos dias de viagem da própria casa.

Boa leitura!

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Coluna Primeiros Escritos | Resenha | “Intelectuais no plural”, de Carlos Benedito Martins e Felipe Maia, por Gustavo Gabaldo

A BVPS publica hoje a resenha de Gustavo Gabaldo (PPGCSO/UFJF) sobre o livro Intelectuais no plural: reconfigurações da sociologia dos intelectuais, lançado em 2025 pelo Atêlie de Humanidades Editorial e organizado por Carlos Benedito Martins (UnB) e Felipe Maia (UFJF).

Se os intelectuais já não dispõem mais da autoridade que detinham no começo do século XX, sua figura, contudo, não se tornou irrelevante. Diante de suas metamorfoses, como entender o papel do intelectual hoje? Sem respostas unívocas, a pista que o livro nos dá é que tratemos não do intelectual, mas dos intelectuais, no plural.

Boa leitura!

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Ocupação Mulheres 2026 | Coluna Primeiros Escritos | O estilo tardio de Rachel de Queiroz, por Milene Mossmann e Mariana Cordeiro

Na nova rodada da Ocupação Mulheres, publicamos na Coluna Primeiros Escritos texto de Milene Mossmann e Mariana Cordeiro, estudantes de Ciências Sociais da UFRJ, sobre a obra tardia de Rachel de Queiroz, uma das principais escritoras da literatura brasileira. Ao examinar obras como Memorial de Maria Moura, Tantos Anos e O Não Me Deixes: suas histórias e sua cozinha, as autoras mostram como temas centrais da escritora em sua juventude – como o sertão e a agência feminina – reaparecem sob novas inflexões. Segundo elas, entre continuidade e deslocamento, a obra tardia de Rachel reconfigura o projeto literário iniciado com O Quinze, transformando o sertão em espaço de poder, pertencimento e memória.

Para saber mais sobre a quarta edição da Ocupação Mulheres, clique aqui. Outros textos já publicados podem ser conferidos aqui.

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Ocupação Mulheres 2026 | Coluna Primeiros Escritos | Depois da tragédia: Ramona Ferreira e a construção de uma voz própria, por Alma Monges

Neste segundo dia da Ocupação Mulheres, publicamos na Coluna Primeiros Escritos texto de Alma Monges, doutoranda em Sociologia na Unicamp, sobre a trajetória de Ramona Ferreira, jornalista e escritora paraguaia que fez da palavra impressa uma forma ativa de intervenção no espaço público. Ao acompanhar sua atuação na imprensa, a fundação do periódico La Voz del Siglo, seu anticlericalismo radical e seu posterior exílio em Buenos Aires, a autora argumenta que ocupar a escrita foi, para Ramona, um gesto intelectual e político de alto risco. Entre educação, livre-pensamento e feminismo em chave transnacional, sua trajetória revela tanto o custo quanto a potência de construir uma voz própria em uma sociedade marcada por profundas assimetrias de gênero.

Para saber mais sobre a quarta edição da Ocupação Mulheres, clique aqui. Outros textos já publicados podem ser conferidos aqui. Aproveitamos também para lembrar que a Coluna Primeiros Escritos segue aberta para contribuições de estudantes de pós-graduação.

Boa leitura e continue acompanhando nossa intensa programação durante o final de semana do 8M!

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Ocupação Mulheres 2026 | Coluna Primeiros Escritos | Uma história de mães, mulheres e filhas, por Paula Lorén Soler

Na nova rodada de postagens da Ocupação Mulheres, publicamos na Coluna Primeiros Escritos texto de Paula Lorén Soler, doutoranda em Filosofia na Universidad Nacional de Córdoba. A autora analisa as “marés feministas” na Argentina e no Chile a partir dos “pañuelazos” pela legalização do aborto e das performances do coletivo LASTESIS. Ao recuperar a genealogia de símbolos e repertórios de protesto, mostra como essas intervenções performáticas transformaram dor e luto em ação coletiva, reconfigurando o espaço público e o movimento feminista. Assim, as “marés” são apresentadas não apenas como conquistas pontuais, mas como acontecimentos que redefinem o horizonte político e legam novas possibilidades às gerações futuras.

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Coluna Primeiros Escritos | Infância e educação em Mário de Andrade e Fernando de Azevedo, por Paloma Leite

Como pensar a infância em um país que buscava se modernizar? No ensaio que publicamos na Coluna Primeiros Escritos, Paloma Leite, mestranda em sociologia no PPGSA/UFRJ, revisita os Parques Infantis criados por Mário de Andrade e articula esse projeto pioneiro com as propostas educacionais de Fernando de Azevedo. Entre o expressionismo infantil, o movimento modernista e o ideário escolanovista de educação integral, o texto mostra como arte, cidadania e visões sobre o país se entrelaçaram na construção de políticas culturais e educacionais dos anos 1930.

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Coluna Primeiros Escritos | Marx nos Andes: Mariátegui e o socialismo indo-americano, por Matheus de Carvalho Barros

Enquanto pensador, José Carlos Mariátegui é amplamente reconhecido como o fundador de um marxismo genuinamente latino-americano. Essa é a chave de leitura do texto que publicamos hoje na Coluna Primeiros Escritos, assinado por Matheus de Carvalho Barros (PPGSA/UFRJ), que defendeu, em 2023, no PPGS/UFF, a dissertação Raça e classe: um estudo comparativo entre José Carlos Mariátegui e Florestan Fernandes.

O texto mostra como Mariátegui reelabora o materialismo histórico ao articular o radicalismo político do marxismo com as lutas indígenas e populares do Peru, formulando o projeto do “socialismo indo-americano”. Segundo o autor, sua originalidade está em deslocar a “questão indígena” de um viés moral e cultural para uma análise econômica e política, integrando raça e classe em uma leitura descolonizadora da América Latina e antecipando debates dos estudos pós-coloniais e decoloniais.

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Coluna Primeiros Escritos | Resenha | “Sociologia da ação pública territorial”, por Marlon Kauã Silva Cardoso

A Coluna Primeiros Escritos publica resenha de Marlon Kauã Silva Cardoso (PPGSA/UFPA) do livro Sociologia da ação pública territorial, de Pierre Teisserenc e Maria José Teisserenc, lançado em 2024 pela Editora da UFPA.

A obra discute a renovação da ação pública a partir da centralidade do território, articulando experiências de pesquisa na França e no Brasil, com especial atenção à Amazônia. Em diálogo com a sociologia francesa da ação pública, a sociologia pragmática e a teoria do ator estratégico, os autores propõem compreender o desenvolvimento territorial não como modelo, mas como processo resultante da mobilização e do engajamento de atores locais. Marlon Cardoso ressalta a atualidade do livro diante dos desafios políticos recentes, como a resistência de populações tradicionais frente ao autoritarismo, e enfatiza que a disputa territorial constitui dimensão fundamental da dominação de classes no Brasil.

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Coluna Primeiros Escritos | Resenha | “Hayek’s Bastards”, de Quinn Slobodian, por Beatriz Aguiar

A Coluna Primeiros Escritos publica resenha de Beatriz Aguiar (IESP-UERJ) sobre Hayek’s Bastards: Race, Gold, and the Capitalism of the Far Right, livro do historiador Quinn Slobodian, lançado em abril deste ano pela editora Zone Books.

Diante do crescimento internacional das políticas de direita, a obra, ainda sem tradução para o português, reconstitui as linhagens dos intelectuais libertários, dos anos 1960 até lideranças contemporâneas, como o argentino Javier Milei e o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro. Para Aguiar, Slobodian tem o mérito de captar as nuances ideológicas que estruturam esse fenômeno de difícil teorização chamado neoliberalismo. O autor, assim, parte do interior do próprio complexo para demonstrar como o contemporâneo não nasce do acaso.

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Coluna Primeiros Escritos | Crônica | “As noivas de Copacabana”, por Miguel Cunha

Na Coluna Primeiros Escritos, Miguel Cunha, doutorando em Ciências Sociais na UFRRJ, narra, com sensibilidade e entusiasmo, a experiência de assistir ao aguardado show de Lady Gaga na praia mais icônica do Rio de Janeiro, neste início de maio. Misturando relato íntimo e análise cultural, o autor reflete sobre o papel dos superastros como catalisadores de experiências coletivas. Mais do que uma noite de música, a crônica celebra o poder da presença de Gaga como figura de identificação e transformação para a comunidade LGBTQIA+ — e, claro, o eterno magnetismo de Copacabana.

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Coluna Primeiros Escritos | Estratégias literárias para desdobrar-se: uma leitura de “Os diários de Emilio Renzi”, por André Luiz Costa

Na Coluna Primeiros Escritos, publicamos o ensaio de André Luiz Costa, doutorando no Programa de Pós-Graduação em Literatura, Cultura e Contemporaneidade da PUC-Rio, que explora os jogos de autoria, memória e ficção a partir de Os diários de Emilio Renzi, de Ricardo Piglia.

Partindo de uma comparação com Robinson Crusoé, de Daniel Defoe, o autor mostra como a tensão entre realidade e ficção atravessa a tradição literária e ganha novos contornos na obra madura de Piglia, que, ao desdobrar-se em Emilio Renzi, adensa a relação entre literatura e história, projetando-se para o futuro e questionando as fronteiras da autobiografia. Segundo Costa, em Ricardo Piglia “tudo é ficção, principalmente a própria vida”.

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Coluna Primeiros Escritos | Resenha | “Na pista da verdade”, de Thomas Bernhard, por João Arthur Macieira

Trazemos hoje na Coluna Primeiros Escritos um comentário afiado de João Arthur Macieira (IESP-UERJ) sobre Na pista da verdade, volume recém-lançado com textos, discursos e entrevistas de Thomas Bernhard. Com estilo corrosivo e postura radical, Bernhard tensiona os limites entre literatura e política, individualidade e identidade nacional – especialmente a partir de sua relação conflituosa com a Áustria e de sua recusa em fazer concessões ao poder ou ao gosto público. Para Macieira, a obra de Bernhard parece falar diretamente a um mundo saturado por discursos performáticos e pela crise da verdade. Mais do que atual, Bernhard se revela incômodo e necessário.

Aproveitamos para lembrar que a Coluna Primeiros Escritos se volta para a publicação de textos de estudantes de pós-graduação. Para conhecer mais sobre a iniciativa, clique aqui.

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Ocupação Mulheres 2025 + Coluna Primeiros Escritos | Ler mulheres: um chamado de Virginia Woolf, Elena Ferrante e dos clubes de leitura, por Cláudia Lamego

Na nova rodada de postagens da Ocupação Mulheres, publicamos na Coluna Primeiros Escritos texto de Cláudia Lamego, jornalista, editora e mestranda em Literatura na Universidade Federal Fluminense. De Virginia Woolf a Elena Ferrante, passando por movimentos contemporâneos como o “Leia Mulheres” e o “Projeto Ferrante Indica”, Lamego mostra como os clubes de leitura femininos têm sido espaços de resistência, sociabilidade e formação intelectual de mulheres. O ensaio explora ainda outras iniciativas que, nos últimos anos, têm impulsionado a demanda por livros escritos por mulheres e reconfigurado o mercado editorial.

Para saber mais sobre a terceira edição da Ocupação Mulheres BVPS, clique aqui. Boa leitura e continue acompanhando nossa intensa programação ao longa desta semana do 8M!

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Ocupação Mulheres 2025 + Coluna Primeiros Escritos | O Ano Internacional da Mulher e a consolidação dos Estudos de Gênero no Brasil, por Bárbara Luisa Pires

Na primeira rodada de postagens deste terceiro dia da Ocupação Mulheres, publicamos na Coluna Primeiros Escritos texto de Bárbara Luisa Pires, doutoranda em Sociologia na Unicamp. A autora mostra como o Ano Internacional da Mulher, instituído pela ONU em 1975, impulsionou a realização de diversas conferências que fortaleceram o debate sobre as desigualdades enfrentadas pelas mulheres. No contexto nacional, Pires enfatiza a atuação de Eva Blay e Heleieth Saffioti, que, a despeito das diferenças em suas abordagens e das resistências enfrentadas ao introduzirem a temática da mulher no meio acadêmico, tornaram-se figuras centrais na consolidação dos estudos feministas e na difusão desses estudos para além do meio acadêmico.

Não perca, na parte da tarde, mais textos inéditos na Ocupação Mulheres. Confira aqui outros textos já publicados. Boa leitura!

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Ocupação Mulheres 2025 + Coluna Primeiros Escritos | Bloco da Dona Yayá: 25 anos de luta, purpurina, confetes e serpentina, por Rute Alonso

A Coluna Primeiros Escritos da BVPS, que publica textos de pós-graduandos/as, também está presente na Ocupação Mulheres 2025. Rute Alonso, mestranda em Planejamento e Gestão Territorial na UFABC, apresenta a trajetória do Bloco Carnavalesco Casa da Dona Yayá, criado pela União de Mulheres do Município de São Paulo (UMSP) em 2000. O bloco articula luta feminista, direito à cidade e combate à violência manicomial, além de ser um importante espaço de memória e resistência por meio da música e do carnaval.

Para saber mais sobre a terceira edição da Ocupação Mulheres BVPS, clique aqui. Boa leitura e continue acompanhando nossa intensa programação ao longa desta semana.

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Coluna Primeiros Escritos | Martinho da aldeia, por Nichollas Paradelo Capote

O ensaio que publicamos hoje na Coluna Primeiros Escritos explora o cosmopolitismo na cultura brasileira a partir de Martinho da Vila e do enredo “Kizomba: a festa da raça”, apresentado pela Vila Isabel no desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro em 1988, centenário da Abolição. Nichollas Paradelo Capote, estudante de Relações Internacionais na UFRJ, analisa a viagem como tema recorrente e transformador na vida cultural brasileira, observando como o cosmopolitismo também é instrumento do “pobre”. Capote reflete ainda sobre a relação entre identidade e alteridade, destacando a importância da utopia e do aprendizado social em projetos culturais e políticos. O texto é resultado do seu trabalho de curso na disciplina Brazil como Cópia, ministrada por André Botelho no PPGSA/UFRJ, no primeiro semestre deste ano.

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Coluna Primeiros Escritos | Resenha | Os substitutos: romance sem identidades, por João Arthur Macieira


Os substitutos (2023), do escritor Bernardo Carvalho, é resenhado por João Arthur Macieira (IESP-UERJ) na Coluna Primeiros Escritos. Estruturado em forma de fragmentos e com uma temporalidade assíncrona, o romance reconstitui a relação entre um menino de classe alta do Sudeste e seu pai. Para Macieira, trata-se de uma obra que não busca afirmar posições políticas ou identitárias, como é comum em boa parte da literatura contemporânea, seja brasileira ou estrangeira. Em vez disso, o livro procura provocar um “estranhamento produtivo”, desafiando o leitor a interpretar cada fragmento sem oferecer respostas prontas sobre heróis e vilões.

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Coluna Primeiros Escritos | A construção de si nas memórias de Carolina Maria de Jesus, por Thayla da Silva de Oliveira

Carolina Maria de Jesus não entrou no mundo pela sala de visitas, mas pelo quintal. Suas obras indicam o esforço de construção de um self e de uma subjetividade coletiva subterrânea, marcada pela escassez de oportunidades e por desejos não realizados. Apesar das adversidades e da falta de reconhecimento em vida, contudo, agora não restam dúvidas do quanto ela merece ser lembrada. Nesse ensejo, a Coluna Primeiros Escritos publica hoje o ensaio “A tua filha é poetisa: a construção de si nas memórias de Carolina Maria de Jesus”, assinado por Thayla da Silva de Oliveira (PPGSA/UFRJ). O texto é resultado do seu trabalho de curso na disciplina “Brazil como Cópia”, ministrada por André Botelho no PPGSA/UFRJ, no primeiro semestre deste ano.

A tua filha é poetisa propõe uma análise do livro póstumo Diário de Bitita (1986), publicado originalmente na França sob a organização das jornalistas Maryvonne Lapouge e Clélia Pisa. Thayla de Oliveira foca na construção poética da subjetividade individual de Carolina Maria de Jesus através de suas memórias marginais e a influência cosmopolita em sua trajetória de vida, considerando a interseção entre raça, gênero e classe presente em sua narrativa autobiográfica enquanto um eco das vozes uníssonas de detentores dos mesmos marcadores sociais.

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Coluna Primeiros Escritos | Desenhos de um modernista quando jovem, por João Mello

Enquanto movimento cultural, o modernismo foi uma construção cotidiana entre diferentes gerações e agentes, que estabeleceram rotinas intelectuais em prol da produção e circulação das novas ideias trazidas pelo movimento. Essa compreensão é a porta de entrada para a discussão proposta pelo texto de hoje da Coluna Primeiros Escritos, assinado por João Mello, que recentemente defendeu sua dissertação de mestrado no PPGSA/UFRJ, intitulada Planta nova carece de espeque: juventude e aprendizado social do modernismo no Grupo Verde.

Neste texto, o autor aborda os processos de aprendizado social e a tarefa coletiva que uniam os modernistas em torno de um ideal de mudança da cultura brasileira. “Desenhos de um modernista quando jovem” persegue uma das expressões empíricas dessa aprendizagem: a correspondência de Mário de Andrade, um dos líderes do modernismo, com o Grupo Verde. São os diálogos epistolares sobre os desenhos de Rosário Fusco, membro do grupo de Cataguases, que aqui evidenciam os processos coletivos de construção desse movimento cultural.

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